Escrevi esta história nas férias de julho, que passei na casa da minha avó, espero que gostem. Baseada em fatos reais rs rs rs:
Numa bela noite, eu estava me preparando para dormir. Foi quando minha avó chegou com uma cortina nova. Era linda, toda bordada e feita a mão. Eu fiquei maravilhada. Me deitei e fui dormir depois da vovó pendurá-la. No meio da noite, ouvi um barulho estranho vindo da janela. Levantei-me e fui (tremendo) ver o que era.
-- Agnes, venha aqui -- chamava a sombra.
Na hora, pensei que fosse vovó que tinha saído e esquecido a chave (de novo), mas quando abri a cortina, não vi ninguém.
-- Aqui -- disse, de novo, a misteriosa voz.
Ainda não conseguia entender o que estava acontecendo. Foi quando eu percebi: a segunda voz que falou, era diferente da primeira. Virei-me para os dois lados e ainda não via ninguém. As vozes estranhas continuavam a chamar. Depois, realizei um gesto que me deixou paralizada. Sabe qual foi? Eu me virei para a cortina. Nunca quis tanto saber que estava sonhando, pois, na cortina, os detalhes que antes eram inanimados, agora eram monstrinhos que falavam e interpretavam de verdade.
-- Vocês podem falar?!!! -- perguntei.
-- Sim -- respondeu um deles, que parecia ser o líder de todos.
-- Como vocês fazem isso, de se mexer e falar? -- indaguei.
-- É uma longa história... mas vamos lhe contar. Nossa cortina sempre foi mágica, pois há muito tempo atrás, mais ou menos em 5.000 a.c., uma bruxa deixou cair a poção da vida em nós. Desde então, nós acordamos toda noite e interagimos com uma criança. Quando volta a ser dia, voltamos a ser objetos inanimados, o que é muito chato para todos nós.
Todos os outros monstros concordaram.
-- Hoje, você, Agnes, foi a escolhida e se continuar com a nossa cortina para sempre, sempre será.
-- Legal! -- eu disse -- Mas como eu vou brincar com vocês, se estão presos aí?
-- Quem te disse que estamos presos?
Nesse momento, 38 monstrinhos (era o número de monstrinhos) pularam da cortina e chegaram no chão.
-- Meu Deus! -- eu disse, impressionada com o que os monstrinhos fizeram.
Brincamos mais do que eu brinquei em toda a minha vida. Cabra-cega, pique-pega etc. O problema foi na hora de brincar de esconde-esconde.
-- Assim não é justo! Vocês são menores e tem mais lugares para se esconder!... -- disse, indignada.
Foi então que aconteceu a coisa mais extraordinária daquela noite: todos os monstrinhos tinham crescido e ficado do meu tamanho. A partir desse momento, vou citá-los como monstros.
-- Está melhor assim? -- perguntou um deles.
-- Muito melhor! -- respondi. E começamos a brincar de novo.
Mas teve uma hora que eu parei a brincadeira e disse:
-- Só um segundinho: que horas vocês voltam para a cortina e ficam inanimados de novo?
-- Às seis horas da manhã, por quê?
Seis horas da manhã era a hora que a minha mãe vinha me acordar para ir à escola, mas ainda era uma hora da manhã. Eu tinha cinco horas para brincar com eles e deitar na cama. Era bastante tempo, mas eu estava cansada e pedi para deitar na cama e que eles me acordassem dali a 5 minutos. Eles concordaram. Como eles dormem o dia todo, não sentem sono à noite, mas compreendiam que eu sentisse. Eles esperaram 5 minutos e me acordaram.
Voltamos a brincar durante uma hora. Combinamos que quando fossem 2:00 da manhã, nós iríamos começar a sessão de histórias até as 3:00 da manhã (Como era o caso). Sugeri começarmos com uma história de terror, mas um dos monstros, chamado Medroso, não quis que começássemos por aquela versão de histórias e sim por histórias de amor e amizade, para que ele se acalmasse um pouco. Dito e feito: começamos com as histórias ao gosto dele. Depois de muitas, muitas,muitas histórias de temas diferentes, finalmente sugeriram de novo histórias de terror e o Medroso concordou.
Contamos muitas histórias de terror, até que o Medroso começou a chorar. E bem a tempo, quando ele começou a chorar, o relógio bateu baixinho 3 horas da manhã. Então, era hora de sair para a cozinha e comer toda a porcariaque a gente encontrasse. Nós saímos de lá com uma dor de barriga dos céus e bem no horário, às 4 da manhã. Era hora de descansar e falar de fatos engraçados que aconteceram na sua vida. Ficamos rindo a beça.
Eram 5 da manhã, hora de mexer no computador. Vimos os vídeos mais engraçados da nossa vida, quando eles começaram a sumir.
-- São seis horas -- disse o Mestre -- temos que ir.
Eu corri para a minha cama e os vi partir. Eles sumiram bem na hora. Minha avó vinha entrando para me acordar.
-- Vó? -- disse, com uma voz pidona.
-- Fala...
-- Podemos ficar com essa cortina para seeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeempre?
-- Tudo bem -- disse ela, rindo.
Desde então, eu nunca quis tanto que a noite chegasse.
Bjs,
Ana Carolina Pantoja
